Eu acredito.

Já fiz muitas coisas nesta vida. Fui jornalista, fui editora em projectos malucos e divertidos, fui assessora de comunicação numa multinacional, escrevi livros para crianças, fiz programas de televisão, ensinei crianças a espicaçar a imaginação e o gosto pela escrita, fui blogger activamente, fui revisora e editora de conteúdos. Agora, sou artesã e voltei a escrever. Para além da Pega-Rabuda e da retrosaria, estou envolvida noutros projectos de que me orgulho muito. Sou editora do blog PTTEAM, onde se reúne uma comunidade fantástica de artesãos portugueses espalhados no planeta Terra. Também sou editora e autora de um dos projectos mais fabulosos em que me vi envolvida, que é a nova revista online Papel. É um projecto-experiência de jornalismo diferente: mostra um Portugal positivo, esperançado, orgulhoso, de qualidade. É escrita por quatro dezenas de colaboradores que o fazem apenas porque acreditam na necessidade de haver um projecto deste tipo em Portugal. Não sabemos quanto tempo vai durar a boa-vontade dos que connosco trabalham. Também eles têm vida, trabalhos, família e contas para pagar ao fim do mês. Mas, uma coisa é certa, dedicam-se como ninguém. Nunca tinha trabalhado com uma equipa assim, que falasse honestamente, que fosse proactiva, que deixasse as lamúrias escondidas, que não fosse um ninho de vespas. Sorte a minha. Na Papel, escrevo ficção e tenho também uma secção sobre artesanato em Portugal, onde já tive o privilégio de conhecer tantos artesãos que admiro, pessoas criativas, empreendedoras, sonhadoras, que trabalham de sol a sol para se sentirem realizadas, sem qualquer apoio do Estado, levam o nome do país aos quatro cantos do mundo, apesar de terem dificuldades em pagar os impostos, a segurança social - que de nada lhes serve - e, mesmo assim, movimentam a economia portuguesa, compram em Portugal, vendem lá fora, não desistem do seu projecto de vida. Desde que fiquei sem emprego fixo, tenho conhecido tanta, mas tanta gente admirável! Tenho crescido tanto interiormente. Tenho conseguido continuar a acreditar que é possível fazermos o que gostamos e sermos felizes com muito menos. E pronto. Hoje é este o meu desabafo. Que todos pensassem um bocadinho nisto. Na vida que são dois dias, na generosidade, no amparo em tempos difíceis, no presente que é nosso e ninguém nos pode roubar. Estou grata por me lerem, por gostarem do que faço, e por serem as pessoas excelentes que são. Obrigada.

2 comentários:

Raquelita Mendonça disse...

Olá Rute. Não conhecia a revista. E adorei, parabéns. Já subscrevi a newsletter para a receber. Gostei muito do que li e vou voltar com assiduidade. Posso fazer um pedido? Eu também adoro escrever mas não tenho jeito nenhum. Tenho dois filhos, um de 5 anos e uma de 7. A de 7 tem alguma dificuldade em inventar histórias. Ela até tem imaginação mas depois faz frases soltas e não consegue fazer um texto com pés e cabeça. Como já ensinaste crianças a espicaçar a imaginação e o gosto pela escrita, podes ajudar-me a ajudar a minha filha? A professora diz que é problema geral da turma, mas eu preciso de a ajudar e não sei como. Desculpa o abuso, mas achei que eras a pessoa certa para pedir umas dicas. Obrigada, Raquel

Rute Gil disse...

Olá Raquel,
Obrigada pelas tuas palavras. Na idade da tua menina e perante o que contas, o que lhe faz falta é leres muito com ela. Contar histórias do princípio ao fim. Há alguns jogos que podes fazer. "Imagina que a televisão falava contigo e te contava um segredo", "o que está a pensar a vassoura sobre o lixo", etc. São alguns exemplos. Acho que o truque, como em tudo, é divertirem-se e verem-nos como exemplo. Um beijinho.