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Coisas lindas que o carteiro traz


Tecidos maravilhosos pré-cortados para as as minhas mantas, da Fat Quarter Shop.
Um caderno português, encadernado à mão pela Um Barra Um, de Coimbra. Delicioso :)

Renascer

Estou de regresso às minhas origens afectivas e no meio do caos que é uma mudança de casa acima dos trinta graus, com 3 filhos, dois gatos e dois cães, e com muito trabalho, vivo dias muito intensos e expectantes. Após um ano a viver em Azeitão, e quase quatro meses a trabalhar em Lisboa, percebi que a minha vida não tem sentido fora do meu alentejo, fora da casa que construímos alicerçada no amor que temos uns pelos outros, pela natureza, pela paisagem, pelas pessoas. Regressamos na próxima semana à casa onde este projecto nasceu, onde se gizaram planos, onde se fizeram filhos, onde vimos bichos a nascer, viver e morrer, onde plantámos árvores e espécies estranhas, onde corremos, chorámos e nos amámos. Este regresso é também um renascer para a Pega-Rabuda. Vou voltar a ele com as minhas mãos, o meu amor, as minhas limitações técnicas. Sei que vou ser feliz. Mais uma vez. Obrigada pelas palavras de incentivo, pela paciência no inusitado tempo de espera às vossas perguntas. Obrigado por me terem ajudado a perceber onde está a felicidade.

Portugal no dedo

Chegou hoje o presente que namorava há meses e que comprei a semana passada num daqueles impulsos femininos. É absolutamente maravilhoso. Aliás, tudo o que a Elizabeth faz é maravilho. Espreitem aqui:
https://www.facebook.com/o.Atrio



Tantas coisas boas

Há momentos em que nos apetece desistir, em que tudo parece nada, dias em que parece que só vale a pena vê-los passar. Felizmente, tenho amigos, espécie de anjos da guarda que me amparam; tenho a família, três filhos que diariamente me surpreendem e me fazem pensar na vida com esperança. Os maus momentos são apenas isso: momentos.
Hoje, estou feliz. O meu filho mais novo fez dois anos há dois dias. Gosto de cheirar-lhe o pescoço quando acorda, delicio-me nas suas bochechas quentes, a enrolar-lhe os caracóis... o meu Xico...
Há boas notícias! Daqui, da minha retrosaria e da minha outra profissão. Resta-me estar grata a todos os que confiam nos meus trabalhos, aqui e ali, que me acompanham, que me fazem sorrir, que me ajudam a divulgar este projecto, e passam a palavra, e fazem encomendas, claro!
Resta-me agradecer. A todos, mas à família e aos amigos, em particular, que com as suas mãos invisíveis me amparam.














Cá em casa é um pouco assim...


Organizar, organizar!

Quando se partilha o espaço de trabalho com o de dormir, dificilmente se consegue ter tudo arrumado e organizado. O meu atelier fica no sótão de nossa casa, e é também o nosso quarto de dormir, de vestir, e ainda o armazém de produtos para a nossa retrosaria. Diariamente, penso, repenso, faço planos para ter as coisas mais organizadas. Mas é difícil.

Para os meus tecidos, uso um antigo móvel de mercearia. É óptimo, porque é lindo e os vidros permitem-me ver o que está lá dentro.



Para as fitas, arranjei duas soluções: as que vêm em bobines estão penduradas num cordão de algodão entre as pernas de um estirador.



As rendas estão penduradas na estrutura de um quadro de madeira. Retirei o vidro, acrescentei uns camarões e, voilá, nunca me esqueço delas.

E hoje chegou um gadget-maravilha à nossa retrosaria. É uma estrutura de madeira para colocar os carrinhos de linhas. Não é genial?


Valorizar as coisas boas de um dia


Hoje aconteceram-me muitas coisas boas. Não são coisas espectaculares, nem me saiu o euromilhões, nem tropecei no meu perfume favorito. Foram coisas simples que, cada vez mais, aprendo a valorizar.
Saí de casa satisfeita por ter acabado a primeira parte da colecção das Bonecas do Mundo para enviar à Loja 5 do Mercado, em Montemor-o-Novo. A Sofia lançou-me o desafio e a Sofia é aquele tipo de pessoa que está rodeada de uma luz que é impossível não nos sentirmos motivados depois de falarmos com ela.
Mal saio de casa, vou, como de costume, à caixa do correio e vejo um envelope da minha querida Noémia Coelho, cujo trabalho podem conhecer aqui: http://www.facebook.com/pxnoemia . A Noémia é minha amiga há uns quatro anos e tal. Conhecemo-nos na gravidez dos nossos segundos filhos. Durante estes anos, e embora não nos conheçamos pessoalmente, falamos quase todos os dias. É uma grande amiga que tem sempre uma palavra certa, um carinho imenso. Gosto muito, muito dela. E hoje recebi uma carta com os trabalhos que tinha pedido para os meus projectos de Verão. Como sempre, vinha uma cartinha manuscrita - como eu gosto de recebê-las - cheia de miminhos para nós.
Muito obrigada, querida Noémia. Adoro!


Como tinha muitas voltas a dar, fui ao shopping almoçar. Comi um bom bitoque na Casa dos Bitoques, com batatinha palha, molho de alho, pickles, um ovinho a cavalo e uma fatia de bolo de caco. Acompanhei com uma limonada com abacaxi e mel. Soube-me muito bem, e ainda mais porque o atendimento desta casa pareceu-me espectacular.
Enquanto almocei, vi e ouvi pessoas a rir, a falar sobre coisas do dia-a-dia, sem ser a crise. Os portugueses têm, de facto, uma grande capacidade de resiliência.
Dei um pulo à loja de animais para comprar um mimo à minha gata Ella, porque ela bem merece. É a minha companhia noite e dia, e é a melhor gata do mundo. Acreditem. Há algum gato que faça festas na cara do dono? Duvido. Pois para ela, hoje temos filetes de salmão com gambas.

Também chegaram hoje as minhas novas etiquetas! As pequenitas, só com o passarito, vêm colmatar uma necessidade que tinha. Há trabalhos que precisam de etiquetas mais pequeninas. Estas são de dobrar. Como sempre, o trabalho e a minha ideia foram executados com perfeição pela Patrícia, da http://www.afornecedoraonline.com/


Tive de ir entretanto à Staples comprar uma agenda para uma cliente que tinha um pedido especial. Pelo caminho, vi uma placa a indicar uma empresa de caixilharia, a Simar, e como estou mesmo a precisar esticar o orçamento para pôr uma janela nova no ateliê - que também é o meu quarto - resolvi entrar para pedir um orçamento.
Fui atendida de forma impecável, explicaram-me tudo como se fosse muito burra. E ainda encontrei uma senhora que conhecia a minha cara e os meus trabalhos da televisão. Oh, meu Deus, a fama... ahahahahah! Como gosto de encontrar pessoas que respeitam o meu trabalho e o admiram. Ficaram com uma fã também!

Ainda fui à lenha, porque o meu marido continua bastante doente para fazê-lo; com duas peças que comprei nos saldos da Viva remodelei o WC; mudei umas lâmpadas... e não é que o carteiro, às cinco da tarde, bateu outra vez? Desta vez trazia uma carta de uma das minhas lojas preferidas, a Lia-San's Atelier. A carta vinha lacrada e trazia um pequeno retalho de tecido japonês. Era apenas um agradecimento pela minha participação no crescimento da loja durante o último ano. Que simpático! Acho que estes detalhes fazem mesmo toda a diferença. Continuo fã!


E pronto. Estou agora à espera dos meus pequeninos para acabar esta semana de trabalho. Foi uma semana difícil, mas terminou da melhor maneira possível, e com a cabeça a fervilhar novas ideias!
Ah, e mais duas novidades: a primeira é que brevemente poderão encontrar os meus artigos em Évora e Vila Real de Santo António.
A segunda novidade é que vamos ter outro evento A Pega-Maluca muito brevemente, já que o último, mais uma vez, foi um sucesso.

Beijinhos e obrigada por estarem aí!

Para o meu filho velho


Hoje apetecia-me comer cerejas, grandes e duras, roxas ou brancas, desde que doces. Hoje apetece-me apenas falar do momento em que tu, grande e deliciosa cereja, começaste a crescer dentro de mim, meu filho. Lembro-me de que quando soube que a intuição que me dizia estar grávida era certeira, fiquei aflita; já não era responsável por mim, as minhas acções teriam consequências multiplicadas ao quadrado. Lembro-me de ter pensado: já não me posso matar, que é o cúmulo da liberdade para quem tem 19 anos.
Lembro-me de um dia, meu amor, enquanto andávamos às compras para a tua festa de aniversário, afastámo-nos, cada um para o seu corredor. Conforme a música de fundo do Continente mudou, petit private joke, virámo-nos os dois e os nossos olhares cúmplices fundiram-se num sorriso, entre dezenas de estranhos. Esse sorriso, como a imagem da tua queda vertiginosa do meu corpo, são a prova da mais irrefutável união entre dois seres. Já ouvi dizer que os filhos não se escolhem, mas tu, meu pintainho cabeçudo, estavas destinado para mim.

fragmentos


Quem me dera o dia tivesse muitas horas e que essas se pudessem multiplicar em três, ou quatro, como quiséssemos, e nos pudéssemos olhar e tocar, sem pressa, sem um ruído, sem uma ânsia que nos seja exterior.Acordei esta manhã e agarrei-me a ti. Se queres saber, não é a melhor posição para voltar a dormir, isto é, a mais confortável fisicamente. Mas o teu cheiro, a tua pele, os teus pêlos, a tua respiração não têm nada que ver com coisas finitas como o corpo. A minha ligação a ti ultrapassa o tempo, o corpo, e até o futuro. Olho para a nossa casa, outra vez pela janela, e reparo no tecto de uma casa quase em ruínas. O tecto é abaulado e é miraculoso como não cai quando dois pombos se enamoram no ponto mais íngreme. Do outro lado da casa, há outra janela. É como se fosse uma janela para o paraíso. Há flores, há palmeiras, há limoeiros, há buganvílias, há cactos gigantes, há um carreiro de pedras e um recanto totalmente tapado por trepadeiras onde está uma mesa e cadeiras e onde eu colocaria um assento feito de pedra caiada e onde adormeceria à tarde, agarrada a ti. Se eu pudesse acrescentar mais coisas, juntaria um cheiro a jasmim que chega depressa à meia-noite e foge assim como quem passa, pede um cigarro e vai acendê-lo para casa.Poderia estar horas a olhar por estas duas janelas. Era isso que me apetecia. Gostava que gostasses tanto das manhãs como eu.